quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O ENCONTRO DE ZÉ CARRAPETA COM SEVERINO XOTE XOTE

Zé Carrapeta tinha o corpo perfurado por “tiro de sete bala” mais ainda tava em pé
Jurou de morte Severino Xote Xote, cabra que veio do norte pra roubar tua mulher
Tirou do bolso uma caneta bic preta e iscrivinhô na carta: “Peste, eu vou te matá,
da sua tripa eu faço cerco pro meu bode, se quiser fugir não foge, á noite eu vou te pegá”

E no forró alucinado de Totonho, Severino Xote Xote não desandou a correr
No som do coco ele guardou a sua arma e escreveu em uma carta: “Zé, é tu que vai morrer,
prepare a vela, as carpideira e as cachaça, pra mó de beber tua alma que agora vai descansar.
E não se zangue seu calango duma figa porque da tua mulé já to cansado de cuidar”.

Zé Carrapeta virou bicho e respondeu “Amanhã vou ver teu corpo bem furado de urubu
A cabeça arranco, guardo numa caixa. Minha mulher gosta de macho,não de frouxo que nem tu.
Me diga a hora que eu te mato cá seu peste, demo, filho de um cão, cabra cuspido no sertão.
E levo junto a tua alma pro diabo na ponta da minha pecheira que te enfio sem perdão”.

E Severino Xote Xote se zangou, marcou encontro no forró onde Totonho ia tocar:
“Vou tá de preto pois te mato e te encomendo num caixão e te carrego pro povo não se zangar.
Sabe cumé? Quando morre um desgraçado, sem valor nem um trocado assim como feito você,
O povo quer que tire o morto do salão, pra dançar logo de volta até o dia amanhecer”.

A cidade foi-se inteira pro forró pra ver qual dos desgraçados ia amanhecer no chão
Mas no forró só teve xote, e xaxado seis bebum, cerveja rala e nenhum morto no salão
E lá na praça Severino Xote Xote carregava o Zé no ombro e disse com toda a clareza
Foi a mulher que arrumou toda essa briga, então matamo a desgraçada e fomo lá tomar cerveja!

Ps.: Faroeste Caboclo nordestino fresquinho agora ja temos quatro inéditas não tocadas.
ZENIT POLAR
PROSTITUTA
O ENCONTRO DE ZÉ CARRAPETA E SEVERINO XOTE XOTE
EU FIZ UM SAMBA

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